23 de abr de 2011

História da MPB - Volume 12 - Ismael Silva - 1970


Nascido em Niterói (RJ), filho de um cozinheiro e de uma lavadeira, Ismael foi um dos maiores sambistas dos anos 30 e 40 no Brasil. Criado na zona norte do Rio de Janeiro, desde cedo freqüentou rodas de samba e malandragem do Estácio, e começou a compor, sendo fundador da primeira escola de samba, a Deixa Falar, em 1928. Ismael foi responsável, junto com os outros "bambas" do Estácio, pela forma que o samba tem até hoje, mais independente do maxixe e de ritmo mais marcado e cadenciado, para facilitar a evolução dos foliões que desfilavam pela escola. Na década de 20 fez um acordo com Francisco Alves, que permitia ao cantor gravar composições de Ismael e constar como autor, mediante pagamento prévio. Esse "comércio" de sambas era prática comum nos anos 20 e 30. Além de Ismael, Noel Rosa, Cartola, Nelson Cavaquinho e outros venderam sambas. "Me Faz Carinhos" e "Amor de Malandro" foram dois sucessos na voz de Francisco Alves comprados de Ismael. Nos anos 30 Ismael Silva se tornou uma figura lendária no mundo do samba carioca. Seus sambas foram gravados com muito sucesso pelos cantores mais populares da época, Francisco Alves e Mário Reis, que cantaram em dueto "Se Você Jurar", em 1931. Foi parceiro de Noel Rosa em sambas como "Pra Me Livrar do Mal", "A Razão Dá-se a Quem Tem" (com F. Alves), "Ando Cismado" e "Adeus". Na década de 40 se afastou do meio artístico, voltando a se apresentar em 1954 nos show da Velha Guarda produzidos por Almirante. Nos anos 60 também freqüentou o bar Zicartola e se apresentou em programas de televisão, tornando-se conhecido por outras gerações. Gal Costa regravou com êxito seu autobiográfico "Antonico". Morreu em 1978, numa casa de cômodos no centro do Rio, sem fama nem dinheiro.

Faixas:Lado 1
01 SE VOCÊ JURAR
Francisco Alves e Mário Reis
02 PARA ME LIVRAR DO MAL
Os Originais do Samba
03 NEM É BOM FALAR
Ismael Silva, Francisco Alves e N. Bastos)
04 O QUE SERÁ DE MIM
Francisco Alves e Mário Reis

Lado 2
01 ADEUS
Jonjoca e Castro Barbosa
02 NOVO AMOR
Ismael Silva
03 UMA JURA QUE FIZ
Mário Reis
04 ANTONICO
Alcides Gerardi

História da MPB - Volume 11 - Baden Powell - 1970]


Nascido em Varre-e-Sai, pequeno município do norte fluminense, logo mudou-se com a família para o Rio de Janeiro. O pai era entusiasta do escotismo, e por isso resolveu batizar o filho com o nome do inglês fundador do movimento. Baden teve aulas de violão desde criança com o famoso violonista Meira, que tocava no rádio com Benedito Lacerda. Também estudou violão clássico durante muitos anos. Na adolescência travou contato com sambistas e foi trabalhar na Rádio Nacional, profissionalizando-se aos 15 anos. Na década de 50 passou a se interessar mais pelo jazz, acompanhando cantores em boates de Copacabana. Por essa época já compunha músicas como "Samba Triste", em parceria com Billy Blanco. Em 1962 conheceu Vinicius de Moraes, que se tornou um de seus parceiros mais constantes. Da parceria Baden/ Vinicius surgiram "Berimbau", "Samba em Prelúdio", "Samba da Bênção" e a série de afro-sambas, que inclui "Canto de Xangô", "Canto de Ossanha" e "Bocoxê". Outro parceiro importante em sua carreira foi Paulo César Pinheiro, com quem compôs "Samba do Perdão", "Quaquaraquaquá", "Aviso aos Navegantes" (todas gravadas por Elis Regina), "Sermão" e "Lapinha", que venceu a I Bienal do Samba em 1969. Sua maneira única de tocar violão — que incorpora elementos virtuosísticos da técnica clássica e suíngue e harmonia populares — explorou de maneira radical os limites do instrumento e o transformou em uma rara estrela nacional da área com trânsito internacional. A partir dos anos 60 tornou-se muito conhecido na Europa e lá gravou vários discos, principalmente na França e na Alemanha, tendo morado nesses dois países. Na década de 90 desenvolveu um trabalho ao lado de seus dois filhos, Philippe e Louis Marcel (ambos nascidos na França), ambos músicos (Philippe é pianista, Louis Marcel, violonista).
Faixas
Lado 1
01 CANTO DE OSSANHA
Elis Regina
02 CONSOLAÇÃO
Tamba Trio
03 ASTRONAUTA
Baden Powell
04 SAMBA EM PRELÚDIO
Geraldo Vandré e Ana Lúcia
Lado 2 01 BERIMBAU
Baden Powell
02 SAMBA TRISTE
Lúcio Alves
03 TEM DÓ
Os Cariocas
04 LAPINHA
Elis Regina

História da MPB - Volume 10 - Lupicínio Rodrigues - 1970


Gaúcho de família humilde, trabalhou desde cedo como mecânico de automóveis, mas sempre gostou de músicas de carnaval e da vida boêmia de Porto Alegre. Lupicínio conseguiu fazer sucesso fora do eixo Rio-São Paulo, o que é difícil hoje e era mais ainda nos anos 30. Suas músicas tratam geralmente de temas de "dor de cotovelo", amores fracassados e traídos. Em 1932, quando já atuava como cantor, foi ouvido e muito elogiado por Noel Rosa, então em excursão pelo Sul com Francisco Alves. Quatro anos depois veio a primeira gravação de suas composições, pela Victor: um compacto com "Triste História" e "Pergunte a Meus Tamancos", ambas em parceria com Alcides Gonçalves, que seria também co-autor de outros sambas-canção como "Castigo", "Maria Rosa" e "Cadeira Vazia". Um de seus maiores sucessos, "Se Acaso Você Chegasse" (com Felisberto Martins), foi gravado pela primeira vez por Cyro Monteiro, em 1938. A música ficou tão popular que Lupicínio foi para o Rio, onde conheceu Francisco Alves, que gravaria muitas de suas canções, como "Nervos de Aço" (1947) e a magistral "Esses Moços" (1948). Num caso raro na MPB, "Se Acaso Você Chegasse" foi regravada com estrondoso sucesso em 1959 por Elza Soares e lançou a cantora no mercado. "Vingança", gravada por Linda Batista em 1951, foi outro sucesso retumbante, inspirado na amargura em que vivia uma mulher que o havia traído. As regravações foram numerosas: Paulinho da Viola ("Nervos de Aço"), Caetano Veloso ("Felicidade"), Elis Regina ("Cadeira Vazia"), Zizi Possi ("Nunca"), Leny Andrade ("Esses Moços") e Gal Costa ("Volta") são alguns exemplos. Mas seu mais importante intérprete é Jamelão, que gravou dois discos dedicados à sua obra em 1972 e 1987, acompanhado pela Orquestra Tabajara do maestro Severino Araújo. Lupicínio participou do V Festival de Música Popular Brasileira da TV Record em 1969 com a música "Primavera", defendida por Isaura Garcia.
faixas:
lado 1
01 - se acaso você chegasse
[lupicinio rodrigues e felisberto martins]
ciro monteiro com conjunto
02 - vingança
[lupicinio rodrigues]
linda baptista com conjunto de fafá lemos
03 ela disse-me assim
[lupicinio rodrigues]
jamelão com orquestra
04 felicidade
[lupicinio rodrigues]
quarteto quitandinha
lado 2 01 - nervos de aço
[lupicinio rodrigues]
francisco alves com orquestra
02 - brasa
[lupicinio rodrigues]
orlando silva com orquestra
03 - esses moços, pobres moços
[lupicinio rodrigues]
lupicinio rodrigues com orquestra
04 - quem há de dizer
[lupicinio rodrigues e alcides gonçalves]
francisco alves com orquestra

História da MPB - Vol. 09 - João de Barro e Alberto Ribeiro - 1970

JOÃO DE BARRO (Braguinha) Filho do gerente da fábrica de tecidos Confiança, Carlos Alberto Ferreira Braga nasceu em 29 de março de 1907, e começou a cantar numa época em que os moços de família não podiam viver de música. Primeiro no grupo amador A Flor do Tempo com os colegas de bairro (Alvinho, Almirante e Henrique Brito) e a seguir, já profissionalizado, ao lado de certo Noel de Medeiros Rosa, no Bando dos Tangarás, em que todos adotaram convenientes apelidos ornitológicos. O de Braguinha, João de Barro, pegou nas primeiras gravações como intérprete, em 1931 (Cor de Prata, Minha Cabrocha, de Lamartine Babo) e foi usado durante muito tempo pelo compositor de sucessos como os inaugurais Trem Blindado e Moreninha da Praia, no carnaval de 1933. A partir daí, mesmo sem conhecimentos formais de música, compondo na base do assovio, ele se transformou num campeão da folia, especializado em marchinhas, como Linda Lourinha, Uma Andorinha Não Faz Verão, Linda Mimi, Dama das Camélias, Cadê Mimi, Balancê (que redobraria o sucesso na regravação de Gal Costa, quarenta e dois anos depois), Andaluzia (recriada por Maria Bethânia), Pirata da Perna de Pau, China Pau, Chiquita Bacana (que projetou Emilinha Borba), A Mulata É a Tal, Tem Gato na Tuba, Adolfito Mata-Mouros (sátira a Hitler) e o misto de paso doble Touradas em Madri, cantado por um Maracanã em festa na goleada do Brasil sobre a Espanha, na fatídica Copa de 50. Participou como diretor e roteirista de filmes como Estudantes (1935), Alô, Alô, Carnaval (1936), Banana da Terra (1938) e Laranja da Terra (1940). Nessa época, começou a trabalhar como diretor artístico da gravadora Continental, onde projetou nomes como Radamés Gnattali, Tom Jobim (sua Sinfonia do Rio de Janeiro, parceria com Billy Blanco foi gravada duas vezes), Lúcio Alves, Dick Farney, Doris Monteiro, Tito Madi, Nora Ney, Jorge Goulart e Jamelão. Em 1937, a cantora Heloísa Helena pediu-lhe uma letra para um choro-canção instrumental de Pixinguinha e nasceu o hino Carinhoso. Da mesma forma que modificou Linda Pequena de Noel Rosa para As Pastorinhas, que se tornaria um clássico póstumo do poeta da Vila, Braguinha (com parceiros como o médico Alberto Ribeiro) cunhou o manifesto pré-tropicalista Yes, Nós Temos Bananas (resposta ao fox americano Yes, We Have No Bananas). Fez ainda tanto o samba-canção de inspiração rural (Mané Fogueteiro, emblemático na voz de Augusto Calheiros, a Patativa do Norte) quanto urbano-modernista como Laura e Copacabana, cuja gravação, de Dick Farney, em 1946, com arranjo de cordas de Radamés Gnattali, seria considerada precursora da bossa nova. Apimentando suas composições à medida que mudavam os costumes (Vai com Jeito, Garota de Saint-Tropez, Garota de Minissaia), ele também arquitetou com delicadeza a mais impressionante coleção de discos infantis, aclimatando para o Brasil histórias da Branca de Neve, Chapeuzinho Vermelho, Alice no País das Maravilhas, além de recuperar inúmeras cantigas de roda. Com espírito de criança, Braguinha foi um retrato cantado da alma jovial do Rio de Janeiro dos melhores tempos. Faleceu em 24 de dezembro de 2006, aos 99 anos, no Rio de Janeiro. (Tárik de Souza)

ALBERTO RIBEIRO Alberto Ribeiro da Vinha era seu nome verdadeiro. Cantor e compositor nasceu no Rio de Janeiro RJ em 27.8.1902 no bairro da Cidade Nova, onde iniciou sua carreira fazendo músicas para o bloco carnavalesco Só de Tanga, do qual participava. Sua primeira composição editada foi o samba Água de coco (com Antônio Vertulo), em 1923. Transferiu-se para o bairro do Estácio, onde conheceu Bide, com quem compôs algumas músicas. Por essa época, iniciou curso de engenharia, que logo abandonou pela medicina. Em fins de 1929, organizou o Grupo dos Enfezados, do qual participava como cantor, integrado por Sátiro de Melo (violão), Nelson Boina (cavaquinho) e Mesquita (violão). Por influência de Eduardo Souto, o grupo gravou dois discos, na Odeon, em 1930. Formou-se médico em 1931 e especializou-se em homeopatia. Em 1933, como cantor, gravou As Brabuleta (de sua autoria), na Columbia. Em parceria com Nássara, em 1934 fez a marchinha Tipo sete, cujo tema era o mercado do café, que, gravada por Francisco Alves na Odeon, Obteve o primeiro lugar no concurso da prefeitura naquele ano. Em 1935, conheceu João de Barro, através do editor Mangione, que os convidou para musicar o filme Carnavalesco Alô, alô, Brasil, do norte-americano Wallace Downey. A partir de então, tornaram-se parceiros constantes e, ainda em 1935, lançaram sua primeira composição, Deixa a lua sossegada, gravada por Almirante. Juntos, continuaram a trabalhar em cinema, como autores de trilhas sonoras de vários filmes carnavalescos e, às vezes, como diretores e argumentistas. Entre os filmes de que participaram, como argumentistas, destacam-se, além de Alô, alô, Brasil (1935), Estudantes (1935), com direção de Wallace Downey, e Alô, alô, Carnaval (1936), com direção de Ademar Gonzaga. Tendo ainda João de Barro como parceiro, em 1935 compôs Seu Libório, choro gravado em 1941 por Vassourinha, na Columbia. Também de 1935 é a marcha junina Sonho de papel (com João de Barro), grande sucesso, que fez parte da trilha sonora do filme Estudantes e foi gravado por Carmen Miranda em 1935 na Odeon. Em 1937 compôs Cachorro vira-lata, samba-choro gravado por Carmen Miranda. Em 1938, compôs Yes! nos temos bananas... (com João de Barro), gravada por Almirante, na Odeon (regravada em 1967 por Caetano Veloso, na Philips); do outro lado desse mesmo disco, Almirante interpretou sua marcha Touradas em Madrid (com João de Barro), e ambas foram grande sucesso no Carnaval de 1938. Touradas em Madrid chegou a vencer um concurso carnavalesco em 1938, mas a competição foi anulada sob a alegação de que se tratava de um paso doble e, portanto, de música estrangeira. Em seu lugar, venceu a música Pastorinhas (João de Barro e Noel Rosa). Em 1943, continuando a parceria com João de Barro, fez a marcha China Pau, gravada por Castro Barbosa. Em 1946, o cantor estreante Dick Farney lançou, pela Continental, o samba-canção Copacabana, um dos maiores sucessos da dupla. Em 1948, a marcha Tem gato na tuba (com João de Barro) obteve grande êxito, na voz de Nuno Roland, e, no ano seguinte, Chiquita bacana, da mesma dupla, gravada por Emilinha Borba, foi uma das músicas mais cantadas do Carnaval. Em 1956, o compositor lançou um LP de dez polegadas, pela Continental, chamado Aviso aos navegantes, em que interpretou 16 músicas de sua autoria, todas de cunho social. Por problemas cardíacos, em 1959 aposentou-se como médico, profissão que exercia em caráter humanitário, cobrando preços simbólicos pelas consultas. Em Janeiro de 1967, prestou depoimento sobre sua vida ao Museu da Imagem e do Som, do Rio de Janeiro. Veio a falecer em 10.11.1971 deixando uma obra espantosa com mais de 400 composições. (http://www.collectors.com.br)

Faixas:
Lado 1
01 TOURADAS DE MADRID
Almirante
02 SEU LIBÓRIO
Vassourinha e o Regional de Benedito Lacerda
03 LINDA BORBOLETA
Carlos Galhardo
04 PASTORINHAS
Sílvio Caldas, Napoleão e os Soldados Musicais

Lado 2
01 YES, NÓS TEMOS BANANA
Caetano Veloso
02 SONHO DE PAPEL
Carmem Miranda
03 LAURA
Jorge Goulart e Orquestra de Radamés Gnatalli
04 COPACABANA
DickFarney

10 de abr de 2011

História da MPB - Volume 08 - Jorge Ben - 1970


Carioca de Madureira criado no Catumbi, desde pequeno gostava de cantar no coro da igreja e participar dos blocos de carnaval. Na adolescência e juventude ganhou um violão e começou a tocar bossa nova e rock'n'roll. Nos anos 60 apresentou-se no Beco das Garrafas, que se tornou um dos redutos da bossa nova. Lá foi ouvido por um produtor que o chamou para gravar.

Logo saiu o primeiro compacto com "Mas, Que Nada" e "Por Causa de Você, Menina", em 1963, acompanhado pelo conjunto Copa Cinco. No mesmo ano lançou o primeiro LP, "Samba Esquema Novo". Foi para os Estados Unidos e lá suas composições "Zazueira", "Mas, Que Nada" e "Nena Naná" entraram nas paradas de sucesso, sendo gravadas por intérpretes como Sergio Mendes, Herb Alpert, José Feliciano e Trini Lopez.

Na era dos musicais da TV, fiel a seu estilo múltiplo, participou tanto de O Fino da Bossa (comandado por Elis Regina) quanto do Jovem Guarda de Roberto Carlos, e mais adiante do Divino Maravilhoso dos tropicalistas Caetano e Gil. Em 1969 obteve enorme sucesso com "Cadê Teresa", "País Tropical" e "Que Maravilha", além de concorrer com "Charles, Anjo 45" no festival da canção da TV Globo. Venceria o festival em 1972, com "Fio Maravilha", interpretado por Maria Alcina.

Lançou outros discos nos anos 70, incluindo clássicos como "A Tábua de Esmeralda" (1974) e "África Brasil" (1976). Na década seguinte dedicou-se a divulgar suas músicas no exterior. Em 1989 mudou o nome artístico de Jorge Ben para Jorge Ben Jor. Sua música "W/Brasil (Chama o Síndico)", lançada em 1990, estourou nas pistas de dança em 91 e 92, tornando-se uma verdadeira febre. A partir daí seus discos se tornaram mais pops, sem perder o suíngue que sempre o caracterizou.

"Músicas para Tocar em Elevador", de 1997, tem participações de 12 artistas, como Carlinhos Brown, Fernanda Abreu e Paralamas do Sucesso. A música de Jorge Ben Jor tem uma importância única na música brasileira por incorporar elementos novos no suíngue e na maneira de tocar violão, trazendo muito do soul e funk norte-americanos e ainda com influências árabes e africanas, que vieram através de sua mãe, nascida na Etiópia. Suas levadas vocais e instrumentais influenciaram muito o sambalanço e fizeram escola, arregimentando uma legião não só de admiradores como também de imitadores. Foi regravado e homenageado por inúmeros expoentes das novas gerações, como Mundo Livre S/A (em "Samba Esquema Noise") e Belô Velloso ("Amante Amado").

O Acústico MTV, lançado em 2002, traz Jorge Ben Jor de volta ao violão. Com arranjos de Lincoln Olivetti, o acústico traz alguns de seus maiores sucessos e outras músicas menos conhecidas da vasta e irrequieta carreira de Ben Jor. O trabalho foi dividido em dois álbuns. O CD1 vem com a Banda Admiral V (que acompanhou o músico nos anos 70) com um balanço forte em músicas como "Comanche", "Jorge de Capadócia", "O Vendedor de Bananas", "O Circo Chegou" e "O Namorado da Viúva". No CD 2 quem comanda a festa é a Banda do Zé Pretinho e surgem os clássicos mais tradicionais: "País Tropical", "W/Brasil", "Mas, que Nada" e "Que Maravilha".

Em 2004 Jorge lança “Bem Tocado”, seu primeiro álbum de inéditas desde 1995. As 16 faixas de “Reactivus Amor Est” trazem o pop suingado de Jorge regado a um belo trabalho de teclado, guitarra e baixo. O disco conta ainda com a participação do percussionista Marçalzinho em "Janaína Argentina" e de Seginho Mangueira no pandeiro de "História Do Homem".
fonte: clique music
http://cliquemusic.uol.com.br/artistas/ver/jorge-ben-jor 

Lado 1
01 MAS QUE NADA
Jorge Ben com Meirelles e os Copa Cinco
02 QUE PENA
Gal Costa e Orquestra Jorge Duprat
03 CADÊ TERESA
Os Originais do Samba
04 CHOVE CHUVA
Jorge Ben com Trio de Edson Machado

Lado 2
01 POR CAUSA DE VOCÊ, MENINA
Jorge Ben com Meirelles e os Copa Cinco
02 CHARLES ANJO 45
Jorge Ben e Caetano Veloso
03 QUE MARAVILHA
Jorge Ben e Toquinho
04 PAÍS TROPICAL
Jorge Ben e Trio Mocotó

História da MPB - Volume 07 - Ataulfo Alves - 1970


Nascido numa fazenda mineira, filho de pai violeiro, foi para o Rio de Janeiro por acaso, onde trabalhou, entre outras coisas, como farmacêutico. No fim dos anos 20 passou a se envolver com blocos de carnaval e artistas de rádio. Logo em seguida teve sambas gravados por Almirante ("Sexta-feira") e Carmen Miranda ("Tempo Perdido"), o que lhe assegurou o sucesso. Compunha sambas-canção e marchas de carnaval para os maiores cantores do Brasil, como Carlos Galhardo ("Quanta Tristeza", com André Filho), Silvio Caldas ("Saudade Dela") e Orlando Silva ("Errei, Erramos"). Em 1941 estreou como intérprete na gravação de "Leva, Meu Samba" e "Alegria na Casa de Pobre" (com Abel Neto). No ano seguinte gravou "Ai, que Saudades da Amélia" (com Mário Lago), um de seus maiores sucessos, ao lado de "Na Cadência do Samba", "Laranja Madura", "Fim de Comédia", "Vai, Mas Vai Mesmo" e "Mulata Assanhada". Em 1961 foi para a Europa, numa turnê de divulgação da música brasileira, e em 1966 representou o Brasil no I Festival de Arte Negra em Dacar, Senegal.

História da MPB - Volume 06 - Lamartine Babo - 1970

Carioca, nasceu em uma família amante da música, o que o ajudou a se tornar um dos mais importantes compositores do Brasil. Chegou a compor algumas operetas e peças de teor sacro na juventude, quando trabalhava como office boy e freqüentava as galerias do Teatro Municipal. Nos anos 20 saía com blocos de carnaval, e passou a colaborar com diversos pseudônimos em revistas satíricas e humorísticas, graças à sua capacidade de fazer trocadilhos e piadas. Ingressou no rádio em 1929, fazendo sketches e contando piadas, e no ano seguinte estreou seu próprio programa, Horas Lamartinescas. Na década de 30 compôs as marchinhas de carnaval mais populares até hoje: "O Teu Cabelo Não Nega", "Linda Morena", "Cantores do Rádio" (com João de Barro/ A. Ribeiro), "Marcha do Grande Galo", "A-E-I-O-U" (com Noel Rosa), "Grau Dez" (com Ary Barroso), "Uma Andorinha Não Faz Verão" (com Braguinha), "Canção pra Inglês Ver" (regravada pelas Frenéticas), "Chegou a Hora da Fogueira", "Hino do Carnaval Brasileiro", "História do Brasil", "Isto É Lá com Santo Antônio", "Noites de Junho". Sua produção é vastíssima no gênero em que foi mestre, mas Lalá (como era conhecido) também fez obras-primas no samba, como "No Rancho Fundo" (com Ary Barroso), "Lua Cor de Prata", "Voltei a Cantar", "A Tua Vida É um Segredo", "Serra da Boa Esperança", "Só Dando com uma Pedra Nela", e até valsas, como "Eu Sonhei que Tu Estavas Tão Linda" (com Francisco Mattoso), regravada pelo roqueiro Erasmo Carlos. Além disso, Lamartine - que tinha uma forma caricata de cantar acompanhando-se num trombone de boca - compôs hinos para os principais times de futebol cariocas: de seu América de coração aos hinos do Flamengo, Fluminense, Botafogo e Vasco.

Lado 1
01 O TEU CABELO NÃO NEGA
Castro Barbosa e Grupo da Guarda Velha
02 SERRA DA BOA ESPERANÇA
Francisco Alves
03 MOLEQUE INDIGESTO
Carmem Miranda, Lamartine Babo e Grupo Guarda Velha
04 HINO DO CARNAVAL BRASILEIRO
Almirante e Orquestra

Lado 2
01 NO RANCHO FUNDO
Sílvio Caldas
02 CHEGOU A HORA DA FOGUEIRA
Carmen Miranda, Mário Reis e Diabos do Céu
03 EU SONHEI QUE TU ESTAVAS TÃO LINDA
Carlos Galhardo
04 RESSURREIÇÃO DOS VELHOS CARNAVAIS
Helena de Lima e Banda da PM da Guanabara

História da MPB - Volume 05 - Ary Barroso - 1970


Ary Evangelista Barroso nasceu em Ubá, em Minas Gerais em 07 de Novembro de 1903. Aos 18 anos, com uma herança de 40 contos de réis, muda-se para o Rio de Janeiro, para fazer a faculdade de Direito. Foi seduzido pela música e pela boemia - o que lhe levou seus 40 contos em dois anos, e quando terminou sua faculdade de direito (9 anos depois), já era um músico respeitado e gravado pelos maiores intérpretes da época. Como radialista, criou o famoso Hora do Calouro, onde despontaram alguns dos maiores nomes da MPB, como por exemplo, Dolores Duran - que cantou uma música em inglês, com a perspectiva de um deboche de Ary Barroso, na época em plena fase do samba exaltação. Ary não só gostou como elogiou publicamente o jeito doce daquela menina cantar... Como compositor, nunca hesitava em substituir uma letra quando tinha certeza que a sua podia ser melhor. Foi assim quando, ouvindo Lamartine cantar Na Virada da Montanha (Na grota funda / Na virada da montanha / Vai haver muita façanha / Com o mulato da Raimunda), Ary escreveu, ali mesmo na mesa, a letra de um de seus grandes sucessos, No Rancho Fundo. Ary foi o nosso porta-bandeira no exterior - foi o primeiro compositor brasileiro a ser ouvido e respeitado nos EUA - Aquarela do Brasil chegou a ser cotada para hino nacional, pelo sucesso que sempre fez no exterior. Morreu no Rio de Janeiro em 09 de Fevereiro de 1964.

lado 1
01 - aquarela do brasil
[ary barroso]
silvio caldas com orquestra
02 - como "vaes" você?
[ary barroso]
carmen miranda com regional de pixinguinha e luperce miranda
03 - na baixa do sapateiro
[ary barroso]
os anjos do inferno
04 - maria
[ary barroso e luiz peixoto]
sílvio caldas com regional

lado 2
01 - no taboleiro da baiana
[ary barroso]
carmen miranda e luiz barbosa com regional de pixinguinha e luperce miranda
02 - morena boca de ouro
[ary barroso]
joão gilberto com orquestra
03 - risque
[ary barroso]
linda baptista com conjunto
04 - os quindins de yayá
[ary barroso]
ciro monteiro com regional de canhoto e josé menezes

História da MPB - Volume 04 - Chico Buarque - 1970


Compositor, intérprete, poeta e escritor, Chico Buarque é hoje uma referência obrigatória em qualquer citação à música brasileira dos anos 60 pra cá. Sua influência é decisiva em praticamente tudo que aconteceu musicalmente no Brasil nos últimos 35 anos, pelo requinte melódico, harmônico e poético que suas obras apresentam. Filho do historiador Sergio Buarque de Hollanda, morou em São Paulo, Rio e Roma durante a infância. Desde criança teve contato em casa com grande personalidades da cultura brasileira, como Vinicius de Moraes (que viria a se tornar seu parceiro), Baden Powell e Oscar Castro Neves, amigos dos pais ou da irmã mais velha, Miúcha, também cantora e violonista. Em 1964 começou a se apresentar em shows de colégios e festivais e no ano seguinte gravou pela RGE o primeiro compacto, com "Pedro Pedreiro" e "Sonho de um Carnaval". Desde então não parou mais de compor e se apresentar, participando de festivais internacionais de música, atuando no programa O Fino da Bossa, da TV Record. ainda em 65, musicou o poema "Morte e Vida Severina", de João Cabral de Melo Neto, que fez enorme sucesso no Brasil e na França, para onde excursionou, arrancando elogios até mesmo do poeta João Cabral, que admite só ter autorizado a utilização do poema por amizade ao pai de Chico. Com o Festival de Record de 1966 tornou-se conhecido no Brasil inteiro por sua música "A Banda", interpretada por Nara Leão, que conseguiu o primeiro lugar (empatada com "Disparada", de Geraldo Vandré e Theo de Barros). Sua participação em festivais foi definitiva para a consolidação de sua carreira. Fez sucesso com "Roda Viva", "Carolina" e "Sabiá", e defendeu ele mesmo suas músicas "Benvinda" e "Bom Tempo". Lançou LPs no fim da década de 60, fazendo shows na França e Itália, onde morou por aproximadamente um ano. De volta ao Brasil, fez música para cinema e gravou um de seus discos mais bem-sucedidos, "Construção". Várias de suas composições e peças de teatro tiveram problemas com a censura na época da ditadura militar, e chegou a usar o pseudônimo Julinho de Adelaide para assinar algumas de suas músicas, como "Acorda, Amor". No teatro, escreveu "Gota D'Água" com Paulo Pontes, e a "Ópera do Malandro". Como escritor, lançou em 1991 o romance "Estorvo" e, quatro anos depois, "Benjamin". Depois disso voltou a dedicar-se à música, lançando "Paratodos" em 1993 e "as cidades" em 1999, ambos com amplas turnês pelo Brasil e exterior. Em 1998 foi enredo da Mangueira, que ganhou o desfile daquele ano. Em 2001, Chico lança o DVD “As cidades”. Além do show "As Cidades", filmado em película, o especial traz cenas captadas no Rio de Janeiro e em Buenos Aires. Entre as participações especiais estão Jamelão, a Velha Guarda da Mangueira e Maria Bethânia. O CD Duetos é lançado em 2002 e reúne 14 das mais de 200 participações de Chico cantando com outros artistas. Participaram do CD: Marçal, Ana Belén, Nara Leão, Zeca Pagodinho, Sergio Endrigo, Nana Caymmi, Johnny Alf, Pablo Milanés, João do Vale, Dionne Warwick, Miúcha, Tom Jobim e Elba Ramalho. O DVD “Chico ou o país da delicadeza perdida” é lançado em 2003. Neste trabalho, Chico Buarque estreou para a televisão francesa em 1990. Após 8 anos sem gravar um disco de inéditas, Chico Buarque lança o CD “Carioca” em 2006. São 12 faixas, algumas em parceria com ao artistas Edu Lobo, Ivan Lins e Tom Jobim.

Faixas:
Lado 1
01 PEDRO PEDREIRO
Chico Buarque
02 COM AÇÚCAR, COM AFETO
Jane (Os Três Morais)
03 CAROLINA
Dick Farney
04 A BANDA
Chico Buarque

Lado 2
01 RODA VIVA
Chico Buarque e MPB-4
02 SONHO DE UM CARNAVAL
Alaíde Costa e Orquestra Erlon Chaves
03 NOITE DOS MASCARADOS
Chico Buarque, Odete Lara e MPB-4
O4 OLÊ OLÁ
Elizabeth Vianna com Regional