29 de jan de 2011

História da MPB - Vol. 03 - Dorival Caymmi - 1970

Compositor baiano responsável em grande parte pela imagem que a Bahia tem hoje em dia, seu estilo inimitável de compor e cantar influenciou várias gerações de músicos brasileiros. Em Salvador teve vários trabalhos antes de tentar a sorte como cantor de rádio, e como compositor ganhou um concurso de músicas de carnaval em 1936. Dois anos mais tarde foi para o Rio de Janeiro com o objetivo de realizar o curso preparatório de Direito e talvez arranjar um emprego como jornalista, profissão que já havia exercido em Salvador. Mas, incentivado pelos amigos, muda de idéia e resolve enveredar para a música. Primeiro, por obra do acaso, tem sua música "O Que É Que a Baiana Tem" incluída no filme "Banana da Terra", estrelado por Carmen Miranda. Em seguida sua música "O Mar" foi colocada em um espetáculo promovido pela então primeira-dama Darcy Vargas. Daí em diante seu prestígio foi se ampliando. Passou a atuar na Rádio Nacional, onde conheceu a cantora Stella Maris, com quem se casou em 1940 e permanece casado até hoje. Seus filhos Dori, Danilo e Nana também são músicos. As canções que celebrizaram Caymmi versam na maioria das vezes sobre temas praieiros ou sobre a Bahia e as belezas da terra, o que colaborou para fixar, de certa forma, uma imagem do Brasil para o exterior e para os próprios brasileiros. Algumas das mais marcantes são "A Lenda do Abaeté", "Promessa de Pescador", "É Doce Morrer no Mar", "Marina", "Não Tem Solução", "João Valentão", "Maracangalha", "Saudade de Itapoã", "Doralice", "Samba da Minha Terra", "Lá Vem a Baiana", "Suíte dos Pescadores", "Sábado em Copacabana", "Nem Eu", "Nunca Mais", "Saudades da Bahia", "Dora", "Oração pra Mãe Menininha", "Rosa Morena", "Eu Não Tenho Onde Morar", "Promessa de Pescador", "Das Rosas". Em 60 anos de carreira, Dorival Caymmi gravou cerca de 20 discos, mas o número de versões de suas músicas feitas por outros intérpretes é praticamente incalculável. Sua obra, considerada pequena em quantidade, compensa essa falsa impressão com inigualável número de obras-primas. A editora Lumiar lançou em 1994 o songbook com suas obras, acompanhado por três CDs.

Faixas:
Lado 1

01 O MAR
Dorival Caymmi
02 VOCÊ JÁ FOI A BAHIA?
Os Anjos do Inferno
03 JOÃO VALENTÃO
Dorival Caymmi e Oswaldo Borba e sua Orquestra
04 SAMBA DA MINHA TERRA
João Gilberto

Lado 2
01 O QUE É QUE A BAIANA TEM?
Carmen Miranda e Dorival Caymmi
02 O VENTO
Dorival Caymmi
03 MARINA
Dick Farney
04 MARACANGALHA
Dorival Caymmi

História da MPB - Volume 02 - Pixinguinha - 1970


Considerado um dos maiores gênios da música popular brasileira e mundial, Pixinguinha revolucionou a maneira de se fazer música no Brasil sob vários aspectos. Como compositor, arranjador e instrumentista, sua atuação foi decisiva nos rumos que a música brasileira tomou. O apelido "Pizindim" vem da infância, era como a avó africana o chamava, querendo dizer "menino bom". O pai era flautista amador, e foi pela flauta que Pixinguinha começou sua ligação mais séria com a música, depois de ter aprendido um pouco de cavaquinho. Logo começou a tocar em orquestras, choperias, peças musicais e a participar de gravações ao lado dos irmãos Henrique e Otávio (China), que tocavam violão. Rapidamente criou fama como flautista graças aos improvisos e floreados que tirava do instrumento, que causavam grande impressão no público quando aliados à sua pouca idade. Começou a compor os primeiro choros, polcas e valsas ainda na década de 10, formando seu próprio conjunto, o Grupo do Pixinguinha, que mais tarde se tornou o prestigiado Os Oito Batutas. Com os Batutas fez uma célebre excursão pela Europa no início dos anos 20, com o propósito de divulgar a música brasileira. Os conjuntos liderados por Pixinguinha tiveram grande importância na história da indústria fonográfica brasileira. A Orquestra Típica Pixinguinha-Donga, que organizou em 1928 junto com o compositor e sambista Donga, participou de várias gravações para a Parlophon, numa época em que o sistema elétrico de gravação era uma grande novidade. Liderou também os Diabos do Céu, a Guarda Velha e a Orquestra Columbia de Pixinguinha. Nos anos 30 e 40 gravou como flautista e saxofonista (em dueto com o flautista Benedito Lacerda) diversas peças que se tornaram a base do repertório de choro, para solista e acompanhamento. Algumas delas são "Segura Ele", "Ainda Me Recordo", "1 x 0", "Proezas de Solon", "Naquele Tempo", "Abraçando Jacaré", "Os Oito Batutas", "As Proezas do Nolasco", "Sofres Porque Queres", gravadas mais tarde por intérpretes de vários instrumentos. Em 1940, indicado por Villa-Lobos, foi o responsável pela seleção dos músicos populares que participaram da célebre gravação para o maestro Leopold Stokowski, que divulgou a música brasileira nos Estados Unidos. Como arranjador, atividade que começou a exercer na orquestra da gravadora Victor em 1929, incorporou elementos brasileiros a um meio bastante influenciado por técnicas estrangeiras, mudando a maneira de se fazer orquestração e arranjo. Trocou de instrumento definitivamente pelo saxofone em 1946, o que, segundo alguns biógrafos, aconteceu porque Pixinguinha teria perdido a embocadura para a flauta devido a problemas com bebida. Mesmo assim não parou de compor nem mesmo quando teve o primeiro enfarte, em 1964, que o obrigou a permanecer 20 dias no hospital. Daí surgiram músicas com títulos "de ocasião", como "Fala Baixinho" Mais Quinze Dias", "No Elevador", "Mais Três Dias", "Vou pra Casa". Depois de sua morte, em 1973, uma série de homenagens em discos e shows foi produzida. A Prefeitura do Rio de Janeiro produziu também grandes eventos em 1988 e 1998, quando completaria 90 e 100 anos. Algumas músicas de Pixinguinha ganharam letra antes ou depois de sua morte, sendo a mais famosa "Carinhoso", composta em 1917, gravada pela primeira vez em 1928, de forma instrumental, e cuja letra João de Barro escreveu em 1937, para gravação de Orlando Silva. Outras que ganharam letras foram "Rosa" (Otávio de Souza), "Lamento" (Vinicius de Moraes) e "Isso É Que É Viver" (Hermínio Bello de Carvalho).
fonte: clique music

Faixas:
Lado 1

01 CARINHOSO
Orlando Silva
02 A VIDA É UM BURACO
Pixinguinha
03 SAMBA DE FATO
Patrício Teixeira
04 LAMENTO
Jacob do Bandolim e Época de Ouro

Lado 2
01 ROSA
Orlando Silva
02 URUBU
Oito Batutas
03 PÁGINA DE DOR
Orlando Silva
04 1 X 0
Pixinguinha e Benedito Lacerda

História da MPB - Volume 01 - Noel Rosa - 1970


Primeiro filho de seu Manoel e dona Marta de Medeiros Rosa, Noel veio ao mundo em 11 de dezembro de 1910, no Rio de Janeiro, RJ, em parto difícil - para não perderem mãe e filho, os médicos usaram o fórceps para ajudar, o que acabou causando-lhe a lesão no queixo, que o acompanhou por toda a vida.

Franzino, Noel aprendeu a tocar bandolim com sua mãe - era quando se sentia mais importante, lá no Colégio São Bento. Sentava-se para tocar, e todos os meninos e meninas paravam para ouvi-lo extasiados. Com o tempo, adotou o instrumento que seu pai tocava, o violão.

Magro e debilitado desde muito cedo, dona Marta vivia preocupada com o filho, pedindo-lhe que não se demorasse na rua e que voltasse cedo para casa. Sabendo, certa vez, que Noel iria à uma festa em um sábado, escondeu todas as suas roupas. Quando seus amigos chegaram para apanhá-lo, Noel grita, de seu quarto: "Com que roupa?" - no mesmo instante a inspiração para seu primeiro grande sucesso, gravado para o carnaval de 1931, onde vendeu 15000 discos!

Foi para a faculdade de medicina - alegria na família - mas a única coisa que isso lhe rendeu foi o samba "Coração" - ainda assim com erros anatômicos. O Rio perdeu um médico, o Brasil ganhou um dos maiores sambistas de todos os tempos.

Genial, tirava até de brigas motivo de inspiração. Wilson Batista, outro grande sambista da época, havia composto um samba chamado "Lenço no Pescoço", um ode à malandragem, muito comum nos sambas da época. Noel, que nunca perdia a chance de brincar com um bom tema, escreveu em resposta "Rapaz Folgado" (Deixa de arrastar o seu tamanco / Que tamanco nunca foi sandália / Tira do pescoço o lenço branco / Compra sapato e gravata / Joga fora esta navalha que te atrapalha) . Wilson, irritado, compôs "O Mocinho da Vila, criticando o compositor e seu bairro. Noel respondeu novamente, com a fantástica "Feitiço da Vila". A briga já era um sucesso, todo mundo acompanhando. Wilson retorna com "Conversa Fiada" (É conversa fiada / Dizerem que os sambas / Na Vila têm feitiço) . Foi a deixa para Noel compor um dos seus mais famosos e cantados sambas, "Palpite Infeliz" . Wilson Batista, ao invés de reconhecer a derrota, fez o triste papel de compor "Frankstein da Vila" , sobre o defeito físico de Noel. Noel não respondeu. Wilson insistiu compondo "Terra de Cego". Noel encerra a polêmica usando a mesma melodia de Wilson nessa última música, compondo "Deixa de Ser Convencido"

Noel era tímido e recatado, tinha vergonha da marca que trazia no rosto, evitava comer em público por causa do defeito e só relaxava bebendo ou compondo. Sem dinheiro, vivia às custas de poucos trocados que recebia de suas composições e do auxílio de sua mãe. Mas tudo que ganhava era gasto com a boemia, com as mulheres e com a bebida. Isso acelerou um processo crônico pulmonar que acabou em tuberculose. Noel morreu no Rio de Janeiro, em 04 de maio de 1937, aos 26 anos, vitimado pela doença.
Carô Murgel

lado 1

01 - Último Desejo - Noel Rosa
Aracy de Almeida com Boêmios da Cidade.
02 - Três Apitos - Noel Rosa
Maria Bethânia com acompanhento de violão
03 - Dama do Cabaré - Noel Rosa
Orlando Silva com Regional
04 - Conversa de Botequim - Noel Rosa e Vadico
Martinho da Vila com Regional de Canhoto

lado 2
01 - Palpite Infeliz - Noel Rosa
Aracy de Almeida com Regional
02 - Quem Ri Melhor - Noel Rosa
Marília Baptista e Noel Rosa com Reis do Ritmo
03 - O Orvalho Vem Caindo - Noel rosa e Kid Pepe
Almirante com Diabos do Céu
04 - Com que Roupa? - Noel Rosa
Martinho da Vila com Regional de Canhoto

28 de jan de 2011

Sucessos de Carnaval - 1955


Sucessos de Carnaval ( Emilinha Borba, Jorge Goulart, Gilberto Milfont, Radamés Gnattali ) 1955 Gravadora Continental - LPP - 5

Lado 1 Sambas
01 - Praça onze (Grande Otelo - Herivelto Martins)
02 - Uma promessa (Uma Promessa Que Eu Fiz) (Jaime de Carvalho "Colô")
03 - Abra a janela (Arlindo Marques Júnior - Roberto Roberti)
04 - O orvalho vem caindo (Kid Pepe - Noel Rosa)
05 - Cai..cai.. (Latouche - Roberto Martins)
06 - Atire a primeira pedra (Ataulfo Alves - Mário Lago)
07 - Não tenho lágrimas (Milton de Oliveira - Max Bulhões)
08 - Implorar( G.Augusto - Gaspar - Kid Pepe)
09 - Nega do cabelo duro (Rubens Soares - David Nasser)
10 - Helena..Helena.. (Secundino - Antônio de Almeida)
11 - Ai que saudade da Amélia (Ataulfo Alves - Mário Lago)
12 - É bom parar (Rubens Soares)

Lado 2 Marchas
13 - Teu cabelo não nega (Lamartine Babo-Irmãos Valença)
14 - Linda morena (Lamartine Babo)
15 - Linda loirinha (João de Barro)
16 - Jardineira (Benedito Lacerda-Humberto Porto)
17 - Ride palhaço (Lamartine Babo)
18 - T'ahi(Joubert de Carvalho)
19 - Pierrô apaixonado (Heitor dos Prazeres - Noel Rosa)
20 - Marchinha do grande galo (Paulo Barbosa - Lamartine Babo)
21 - Pirolito (Alberto Ribeiro - João de Barro)
22 - Aurora (Salvador J. de Moraes - Zequinha de Abreu)
23 - Chiquita bacana (Alberto Ribeiro - João de Barro)
24 - Touradas de Madrid (Alberto Ribeiro / João de Barro)

Vozes: Emilinha Borba, Jorge Goulart e Gilberto Milfont
Orquestração e Regência: Radamés Gnattali

Marçal - Marçal interpreta Bide e Marçal





Marçal - Marçal interpreta Bide e Marçal
1978 EMI-Odeon 062 421147

01 - Agora é cinza - Meu primeiro amor - A primeira vez - A carta (Marçal - Bide)
02 - Barão das cabrochas - Que bate-fundo é esse? (Marçal - Bide)
03 - Tua beleza - Não diga a ela minha residência (Marçal - Bide)
04 - Foi você - Tu não sabes mais o que há de querer - Velho Estácio (Marçal - Bide)
05 - Sorrir - Louca pela boemia - Nunca mais - Meu sofrer (Marçal - Bide)
06 - Violão amigo - Se ela não vai chorar, nem eu (Marçal - Bide)
07 - Madalena - Olha a sua vida - Você foi embora - Agora é cinza (Marçal - Bide)


Dino 7 Cordas - violão de 7 cordas
Meira - violão
Canhoto - cavaco
Wilson Das Neves - bateria
Luna - tamborim
Elizeu - tamborim
Marçal - cuíca
Gordinho - surdo
Jorginho - pandeiro
Geraldo Bongô - tumba
Luizão - baixo
Beterlau - agogô
Genaro - reco-reco
Bezerra - ganzá
Abel Ferreira - clarinete, sax alto
Nelsinho - trombone
Emilio - sax alto
Zé Bodega - sax tenor
Genaldo - sax barítono
Maurilio - trumpete
João Luiz - trombone

Coro: Chico Buarque, Clara Nunes, Cristina, Dona Ivone Lara, Elton Medeiros, Gisa Nogueira, Gonzaga Jr., João Nogueira, Martinho da Vila, Milton Nascimento, Miucha, Paulinho da Viola, Paulo Cesar Pinheiro, Roberto Ribeiro, Nosso Samba.

Regência: Maestro Nelsinho


Mestre Marçal 
Filho do percussionista, sambista e fundador da escola de samba Estácio Armando Vieira Marçal e pai do também percussionista Marçalzinho, Mestre Marçal foi um dos mais consagrados mestres de bateria e percussão da música brasileira, uma quase unanimidade entre os músicos. Começou tocando tamborim na escola Recreio de Ramos, em seguida foi para a Unidos da Capela, Império Serrano e Portela, onde ficou por mais de 20 anos mas saiu em 1980, depois de desentendimentos com o presidente da escola. Passou alguns meses na Viradouro e desfilou pela Mangueira. Fora do universo das escolas de samba, foi presença constante em estúdios de gravação. Participou de todos os discos de Beth Carvalho, tocou com Chico Buarque, Alcione e praticamente todos os grandes nomes da MPB. Gravou oito discos individuais, onde, além de percussionista e compositor, atuava também como cantor, emprestando à voz suas habilidades rítmicas por meio de inusitadas e criativas divisões. Mestre Marçal gravou sambas como "A Primeira Vez", "Meu Primeiro Amor", "Que Bate-fundo É Esse?", "Meu Sofrer", "Agora É Cinza" (da dupla Bide/ Marçal, o pai). Ganhou o título de Cidadão Samba em 1982.

Rogerio Duprat, Portinho & Waldemiro Lenke: Sempre Carnaval, História do Carnaval Brasileiro - 1870 a 1967


 Uma coleção, lançada pela Abril Cultural em 1967, composta por 6 discos, e que nos conta a história do carnaval brasileiro, de 1870 a 1967, através das músicas que animaram os foliões nas ruas e nos salões por todo o Brasil, e que continuam vivas e presentes até os dias de hoje.
Arranjos e orquestrações: Rogerio Duprat, Portinho e Waldemiro Lenke

Rogério Duprat:
Sempre Carnaval, História do Carnaval Brasileiro 1870 a 1967
1967 Abril Cultural ACPB-03

Disco 1 (ACPB-03-1) 1852 a 1929

01 - Zé Pereira (Domínio Público) - 1869
02 - Ô abre alas (Chiquinha Gonzaga), marcha - 1899
03 - Vem cá mulata (Arquimedes de Oliveira-Bastos Tigre),tango chula - 1906
04 - No bico da chaleira (Maestro Costa Junior), polca - 1909
05 - Pelo telefone (Mauro de Almeida-Donga), samba - 1916
06 - A baratinha (Mario São João Rabelo), canção carnavalesca - 1917
07 - O pé de anjo (Sinhô), marcha - 1919
08 - O fubá (Romeu Silva), samba - 1925
09 - Zizinha (José Francisco de Freitas Bittencourt-Carlos Menezes), marchinha - 1926
10 - Ora vejam só (Sinhô), samba  1927
11 - Pinião (Lupercê Miranda), embolada - 1927
12 - Suspira, nega suspira (Sá Pereira), maxixe - 1925

Arranjos e regência: Rogério Duprat

Rogério Duprat:
Sempre Carnaval, História do Carnaval Brasileiro 1870 a 1967
1967 Abril Cultural ACPB-03

Disco 2 (ACPB-03-2) 1830 a 1933

01 - Dá nela (Ari Barroso) marcha -1930
02 - Pra você gostar de mim (Joubert de Carvalho) marcha - 1930
03 - Quebra quebra gariroba (Plinio de Brito) marcha - 1930
04 - Na pavuna (Candoca da Anunciação-Almirante) samba - 1930
05 - Com que roupa (Noel Rosa) samba - 1930
06 - Se você jurar (Ismal Silva-Milton Bastos-Francisco Alves) samba - 1930
07 - Deixa essa mulher chorar (Brancura-S.Fernandes) samba - 1930
08 - A-E-I-O-U (Lamartine Babo-Noel Rosa) marcha - 1932
09 - O teu cabelo não nega (Lamartine Babo) marcha -1932
10 - Marchinha do amor (Lamartine Babo) marcha - 1932
11 - Moreninha da praia (João de Barro) marcha - 1933
12 - Linda morena (Lamartine Babo) marcha - 1933


Arranjos e regência: Rogério Duprat

Portinho:
Sempre Carnaval, História do Carnaval Brasileiro 1870 a 1967
1967 Abril Cultural ACPB-03

Disco 3 (ACPB-03-3) 1833 a 1935

01 - Fita amarela (Noel Rosa) samba - 1933
02 - Formosa (Nassara-J.Rui) marcha -1933
03 - Arrasta sandália (Oswaldo Vasques-Aurelio Gomes) samba -1933
04 - Orvalho vem caindo (Noel Rosa-Kid Pepe) samba - 1934
05 - Agora é cinza (Alcebiades Barcelos"Bide"-Armando Vieira Marçal) samba - 1934
06 - Carolina (Hervê Cordovil-Bonfiglio de Oliveira) marcha - 1934
07 - Se a lua contasse (Custódio Mesquita) marcha - 1934
08 - Linda lourinha (João de Barro) marcha - 1933
09 - Implorar (Kid Pepe-Germano Augusto-J.S.Gaspar) samba - 1934
10 - Foi ela (Ari Barroso) samba - 1935
11 - Grau Dez (Lamartine Babo-Ari Barroso) marcha - 1935
12 - Deixa a lua sossegada (João de Barro-Alberto Ribeiro) marcha - 1935

Arranjos e regência: Portinho

Portinho:
Sempre Carnaval, História do Carnaval Brasileiro 1870 a 1967
1967 Abril Cultural ACPB-03

Disco 4 (ACPB-03-4) 1835 a 1938

01 - Eva querida (Benedito Lacerda-Luiz Vassalo) marcha - 1935
02 - Salada portuguesa (Paulo Barbosa-Vicente Paiva) marcha - 1935
03 - Cidade maravilhosa (André Filho) marcha - 1935
04 - É bom parar (Rubens Soares) samba - 1936
05 - Pierrot apaixonado (Noel Rosa-Heitor dos Prazeres) marcha - 1936
06 - Marchinha do grande galo (Lamartine Babo-Paulo Barbosa) marcha -1936
07 - Mamãe eu quero (Vicente Paiva-Jararaca) marcha -1937
08 - Lig lig lig lê (Paulo Barbosa-Oswaldo sampaio) marcha - 1937
09 - Como vaes você (Ari Barroso) marcha - 1937
10 - Periquitinho verde (Nassara-Sá Roriz) marcha - 1938
11 - Não tenho lágrimas (Max Bulhões-Milton de Oliveira) - 1938
12 - Touradas em Madrid (João de Barro-Alberto Ribeiro) marcha - 1938

Arranjos e regência: Portinho

Waldemiro Lenke:
Sempre Carnaval, História do Carnaval Brasileiro 1870 a 1967
1967 Abril Cultural ACPB-03

Disco 5 (ACPB-03-5) 1838 a 1944

01 - Pastorinhas (João de Barro-Noel Rosa) rancho - 1938
02 - Hino do carnaval brasileiro (Lamartine Babo) marcha - 1939
03 - Meu consolo é você (Nassara-Roberto Martins) samba - 1939
04 - Jardineira (Benedito Lacerda-Humberto Porto) marcha - 1939
05 - Upa upa (Ari Barroso) marcha - 1940
06 - Cai cai (Roberto Martins) samba - 1940
07 - Helena (Antonio Almeida-Secundino) samba - 1940
08 - Aurora (Mario Lago-Roberto Roberti) marcha -1940
09 - Ala la o (Nassara-Haroldo Lobo) marcha - 1941
10 - Ai que saudades da Amélia (Mario Lago-Ataulfo Alves) samba - 1941
11 - Emilia (Wilson Batista-Haroldo Lobo) samba - 1942
12 - Eu brinco (Pedro Caetano-Claudionor) marcha - 1944

Arranjos e regência: Waldemiro Lenke

Waldemiro Lenke:
Sempre Carnaval, História do Carnaval Brasileiro 1870 a 1967
1967 Abril Cultural ACPB-03

Disco 6 (ACPB-03-6) 1844 a 1967

01 - Não me diga adeus (Paquito-Luiz Soberano-João Correia Silva) samba - 1948
02 - General da banda (João Alcides-Tancredo Silva- Sátiro de Mello) marcha - 1950
03 - Daqui não saio (Paquito-Romeu Gentil) marcha - 1950
04 - Tomara que chova (Paquito-Romeu Gentil) marcha - 1951
05 - Lata D'água (L.Antonio-J.Junior) samba - 1952
06 - Cachaça (M.Pinheiro-L.de Castro-H.Lobato) marcha - 1953
07 - Sacarôlha (Zé da Zilda-Zilda-Waldir Machado) marcha - 1954
08 - Cabeleira do zezé (Roberto Faissal-J.Roberto) marcha -1964
09 - Mulata iê-iê-iê (João Roberto Kelly) marcha - 1965
10 - Roubaram a mulher do Rui (José Messias) marcha - 1966
11 - Tristeza (Haroldo Lobo-Niltinho) samba - 1966
12 - Máscara negra (Zé Keti) marcha - 1967

Arranjos e regência: Waldemiro Lenke

6 de jan de 2011

Afinal pra quê serve um “sambista de raiz”?

No encarte do disco Nelson Sargento - Versátil, Nei Lopes escreve: Afinal pra quê serve um “sambista de raiz”?
Leia na íntegra:

Nelson Sargento – Versátil sem perder a Raiz

Afinal pra quê serve um “sambista de raiz”?

Esta pergunta nós nos fizemos, num misto de tristeza e indignação, quando vimos o parceiro Wilson Moreira cair vítima de um derrame, cerca de onze anos atrás.

Naquele momento, a garotada, filha daquela rapaziada universitária que se extasiou com a modernidade afro de Clementina no Teatro Jovem e elevou o velho Zicartola à categoria de templo maior do samba carioca, começava a descobrir os finos petiscos de Cartola, Candeia e companhia. E, aí, nós, aporrinhados da vida, chamamos para nós mesmos a responsabilidade da resposta.

No nosso modesto entender – pensamos –, um sambista de verdade (“de raiz” é rótulo maroto) serve como ponte entre o ontem e o amanhã; como referencial e também como baluarte – no sentido de “suporte, apoio, sustentáculo” e também no de “fortaleza inexpugnável” contra as investidas destruidoras.

Agora – perguntávamos novamente, para logo depois voltarmos a responder – : quanto vale um sambista, nessa história?

Em termos de mercado, sabemos, por experiência própria, que vale muito pouco. Porque os assim chamados, principalmente os rotulados como “de raiz”, são sempre aqueles que, embora reverenciados e com boa entrada na tal da “mídia”, quase nunca são gravados pelos grandes vendedores de disco; quase sempre são convidados “especiais” só para cantar de graça ou receber o “simbólico”, o “da passagem”; e nunca, apesar das placas-de-prata e medalhas de mérito, são incluídos no contexto da milionária indústria cultural.

Mas acontece que, hoje, graças aos deuses e musas, o que de melhor se faz na música popular brasileira, incontestavelmente, está exatamente fora desse contexto aviltado e emburrecido. E este é, com toda a certeza, o caso de Nelson Sargento e deste seu CD “Versátil”.

Às vésperas de completar 84 anos de idade; 43 anos depois do inesquecível Rosa de Ouro; numa trajetória artística e literária que inclui telas, filmes e livros, Sargento põe a tropa em fila e apresenta suas armas, neste seu quinto CD individual. E essas armas são: composições com sua marca, parcerias geniais, arranjos eficientes, músicos de grande talento... E fidelidade absoluta à sua sina de artista moderno e corajoso.

O disco começa com um autêntico ivone-lara (substantivo incomum), pra malandro nenhum botar defeito. Pois "Nas asas da canção", embora Nelson sempre apareça, no “ocaso da vida”, na “mente cansada”, “emoldurando a fantasia”, é um ivone-lara legítimo, safra 1947. E dele vamos para o correto "Sinfonia imortal", parceria com Agenor de Oliveira, conhecido como intérprete e entusiasta da obra de Noel Rosa (o saudoso poeta da Vila), de ausência quase tão sentida, para nós, quanto a do nosso pranteado parceiro Maurício Tapajós, que assina, com Sargento, o "Verão no Rosto". Nessa faixa, a seqüência harmônica do trecho “sorriso infantil” parece Maurício dizendo “estou aqui!”. E daí, passamos, tirando o chapéu, por um Cartola ("Ciúme doentio"), para chegar à primeira surpresa do disco.

Mas como?! Uma valsa? Sem letra? E solada ao piano pelo Wagner Tiso?

Calma, prezado leitor-ouvinte! "Rosa Maria, flor mulher" é apenas a primeira surpresa deste CD “Versátil”. Porque, a faixa seguinte, "Bálsamo"... é um bolero! Com direito a acordeom e tudo! No melhor estilo anos 50. E a outra é um fox ("Primeiro de abril"), com a guitarra elétrica harmonizando, tipo Oscar Moore ou Billy Mackel; e na qual nosso Sargento incorpora Custódio Mesquita na melodia e Lamartine Babo na letra lírico-brincalhona.

Mas a versatilidade do artista é claro que acaba (ou continua) em samba. Com o protesto partideiro do parceiro Agenor em "Acabou meu sossego"; com outra reclamação, desta vez mais bronqueada, quando o letrista acusa a mentirosa de “tapar o sol brilhante com a peneira da ilusão” ("Parceiro da ilusão"); até que chegamos ao “samba do Marreta”.

Compositor dos primeiros tempos da verde-e-rosa, Marreta, integrante da Galeria de Honra da ala de compositores mangueirenses, ao que consta, jamais ganhou um samba-enredo e é muito pouco conhecido. E é Nelson Sargento que, agora, o apresenta ao grande público, nesta parceria ("Só eu sei") tão pequenininha quanto melodiosa e contagiante. Um verdadeiro samba-de-terreiro dos bons tempos! Tão forte quanto a faixa seguinte, "Pobre milionária", é ilustrativa da influência de Cartola nas obra do nosso grande artista.

Sobre o clássico "Falso amor sincero" já se disse tudo. Mas aí vêm, de novo, Sargento e o Oliveira com uma marcha-rancho “daquelas” – que não nega sua raça nem no arranjo. Versatilidade! E, então, o excelente "Pranto ardente", nos faz ver Os Cinco Crioulos (inclusive com os saudosos Anescar e Jair) metendo bronca, de terno branco, no palco do Teatro Jovem; e nós também. Mas eis que chega o "Século do samba", concorrente ao enredo da Manga em 1999, nos fazendo coçar a cabeça: “é melhor este samba aqui, Seu Nelson; pois lá, ia virar outra coisa!”. É nessa que a letra de Ídolos e astros dá o recado final: “Os grandes artistas, como Nelson Sargento, sempre viverão na memória daqueles que têm respeito e consideração”.

Pois é isto! Ponte entre o ontem e o amanhã, este CD mostra, de fato, a maestria e a versatilidade de Nelson Sargento, valioso e valoroso, referencial e baluarte. Fortaleza inexpugnável do samba, ao lado de Evonete (seu “bálsamo”), ele incursiona também por outras “praias” do seu tempo. E, assim, sob a batuta desse extraordinário Paulão Sete Cordas e contando com um batalhão de grandes músicos e amigos, ele, versátil sem perder a raiz, põe a tropa na rua e toma suas providências.

É para isto que serve um sambista de verdade!

Nelson Sargento - Versátil (2009)




1. Nas Asas da Canção (Dona Ivone Lara / Nelson Sargento) - com Dona Ivone Lara
2. Sinfonia Imortal (Nelson Sargento / Agenor de Oliveira)
3. Verão no Rosto (Maurício Tapajós / Nelson Sargento)
4. Ciúme Doentio (Cartola / Nelson Sargento) - com Zeca Pagodinho
5. Rosa Maria, Flor Mulher (Nelson Sargento / Wagner Tiso) - com Wagner Tiso
6. Bálsamo (Nelson Sargento)
7. Primeiro de Abril (Nelson Sargento)
8. Acabou Meu Sossego (Nelson Sargento / Agenor de Oliveira)
9. Parceiro da Ilusão (Nelson Sargento / Agenor de Oliveira)
10. Só Eu Sei (Nelson Sargento / Marreta)
11. Pobre Milionária (Nelson Sargento)
12. Falso Amor Sincero (Nelson Sargento)
13. Amar Sem Ser Amado (Nelson Sargento / Agenor de Oliveira)
14. Pranto Ardente (Nelson Sargento / Oscar Bigode)
15. Século do Samba (Nelson Sargento / Josimar Monteiro / Francisco Blanco) - com Velha Guarda da Mangueira
16. Ídolos e Astros (Marinho Da Chuva / Nelson Sargento)